As Luas de Marte

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Como atividade para a disciplina de Comunicação e Expressão Escrita, fomos desafiados a criar uma história que se valesse da narrativa hipermídia. O objetivo era desenvolver o trabalho utilizando os princípios básicos desse tipo de narração: hibridização da linguagem, banco de dados, multilinearidade e interatividade. Diante do desafio, ficamos tão instigados que criamos: As Luas de Marte.

Trabalhando com a ideia da narração em “meios” diferente, pensamos em desenvolver a história dos quatro satélites e do planeta central em realidades diferentes. Nesse sentido, propomos a criação de um livro que contaria a história de Ágora e serviria como forma de reunir e encadear as histórias. Enquanto isso, Zerah seria trabalhada num game. Uma vez que se trata de um mundo ainda inexplorado, o jogo possibilitaria a construção da narrativa a partir da perspectiva do usuário. Essa é a mesma intenção de trabalhar com uma HQ sobre Cretácia – a ideia aqui é relacionar o mundo mais antigo que se conhece com a origem dos filmes fantásticos: as histórias em quadrinhos. A narrativa nas telonas contará a construção do reino mais peculiar: GermanKa. Por fim, Binarius será abordada em uma web-série.

Logo:

As Luas de Marte

As Luas de Marte

A hibridização seria empregada ao utilizarmos as linguagens características de cada meio para contar as histórias. Elas estarão todas em banco de dados permitindo, assim, um conjunto de ações pré-estabelecidas para o usuário. Interessante notar que essas ações não servirão [e nem podem] como uma limitação. Daí a ideia de trabalhar com um “sistema-bússola”, onde cada usuário estará capacitado a interagir com o conteúdo a partir de suas necessidades e expectativas. Nesse sentido, trabalhamos a questão da multilinearidade e da interatividade. O usuário como “capitão” entrará em contato com uma narrativa sem início. A ideia de dispor de um banco de dados possibilita isso: fornecer para quem usa a possibilidade de acessar o conteúdo que quiser (seja a web-série, a HQ, o filme ou o game). A interatividade vem exatamente quando consideramos que os fóruns e chats permitirão a construção de histórias paralelas. Outro ponto que merece ser considerado é o fato da “protagonista” possuir um dom especial que lhe permite estar em qualquer um dos mundos. Sendo assim, isso abre um espaço para que o usuário, a partir dos avatares, construa a história da forma que achar conveniente.a narrativa é o próprio usuário.

Confira agora o início dessa história:


AS LUAS DE MARTE

O Domo

Em uma realidade muito distante, vive uma sociedade complexa com realidades temporal e tecnológica distintas. Em um planeta orbitado por quatro satélites – Zerah, Cretácia, GermanKa e BInarius- está a sede do governo. Ágora, como é conhecido, abriga a elite imperial que rege, pacificamente, os quatro mundos.

As Luas de Marte

As Luas de Marte

  • Zerah é um satélite onde se acredita que não haja vida. Por suas condições naturais adversas, é um lugar pouco conhecido e muito desprezado por essa complexa civilização. É em Zerah que se encontra um importante recurso natural cobiçado. O Elixir, pedra com poderes de transformar o mundo como o conhecemos se tornará o motivo central da guerra.
  • Cretácia é outro desses satélites. Com características pré-históricas, é um mundo onde as condições social e financeira são menos favorecidas.
  • Em Germanka está o principal polo ideológico dessa civilização. Nesse mundo com característica medieval se encontra o principal braço político de Ágora, o planeta central.
  • Binarius é o mundo mais desenvolvido que se conhece. Numa realidade futurista, abriga a base científico-tecnológica. Em Binarius se encontra também a principal força militar desse povo.
  • A Capital, conhecido como Ágora, reúne as famílias mais importantes. Entre elas está a Família Imperial que administra os quatro satélites.
As Luas de Marte

As Luas de Marte

Os três satélites mais o planeta central – desconsiderando Zerah por ser inabitado – coexistem em harmonia. Isso até que Talúria, um fanático religioso muito rico de Germanka, se baseando em uma antiga profecia, acredita estar destinado a depor o sistema de governo dessa sociedade. Para isso vai para Binarus na intenção de se equipar belicamente e destituir a família real. Talúria consegue apoio de uma boa parcela do exército. A partir desse momento cria-se um movimento de revolução chamado de ‘A Resistência’. O fanático consegue dominar as redes de comunicação, transmitindo clandestinamente duras críticas ao governo. Isso gerou uma grande insatisfação de toda a sociedade.

Enquanto isso surge em Germanka um movimento contra a Resistência. Inicia-se uma cruzada contra os revolucionários. O exército germaniko aliou-se ao Exército Real contra A Resistência.  Diante da crise diplomática uma jovem guerreira de Cretácia viaja até Ágora. Mika vai para a Capital disposta a tudo para buscar maiores investimentos em seu mundo.

A jovem só não contava que Talúria, para mostrar seu poderio e amedrontar a elite de Ágora, coordenaria um ataque nuclear à Cretácia. A operação destruiu boa parte da sociedade cretana, entre elas a família de Mika. Sob o controle dos rebeldes, os meios de comunicação atribuíram o ataque à uma represália da família. Movida por vingança, Mika se alista voluntariamente na Resistência.

Disposta a tudo, a jovem guerreira cretana não medirá esforços para vingar a morte do seu povo. O exército rebelde será apenas uma preocupação para o governo central. A Capital voltará todos seus esforços para deter Mika, dona de um dom especial capaz de mudar a história.

“Nem mil homens ou mil elefantes serão capazes de impedir sua vingança. Aqueles que se colocarem diante do seu caminho estão fadados a sucumbirem na escuridão do universo. “ – Profecia Cretana


A gente se encontra em Ágora.

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Por que as pessoas boas escolhem as pessoas erradas?

Por Armando Júnior

Direção e roteiro: Stephen Chbosky. Elenco: Logan Lerman, Emma Watson, Ezra Miller, Paul Rudd, Nina Dobrev, Mae Whitman, Erin Wilhelmi, Johnny Simmons.

The Perks of Being a Wallflower, 2012

The Perks of Being a Wallflower, 2012

“As coisas mudam e os amigos se vão, mas a vida não para para ninguém.”

O filme As Vantagens de Ser Invisível (2012) aborda de maneira sutil, e ao mesmo tempo profunda, os questionamentos da adolescência. Através do horizonte do personagem principal, Charlie (Logan Lerman), somos apresentados às descobertas e aos desafios de um jovem que está prestes a começar o ensino médio. Trata-se de uma adaptação do livro de mesmo nome lançado em 2007. Neste momento, preciso deixar claro que meu propósito aqui não é estabelecer (dentro dos limites, é claro) uma comparação com a obra literária, por dois motivos: primeiro porque estamos falando de obras diferentes, com linguagens diferentes, em meios diferentes e, até certo ponto, para públicos diferentes; e segundo (como se a primeira já não bastasse), porque qualquer tentativa de comparação seria injusta ao criar certo tipo de preconceito ao considerar que nenhum filme, por princípio, será melhor que o livro. Curioso notar que, nesse caso, a adaptação para o cinema foi feita pelo próprio autor, o também roteirista Stephen Chbosky (Jericho, 2006). Se por um lado a participação criativa de Stephen traz uma expectativa de fidelidade à obra original, por outro traz a pretensão, otimista demais, de querer fazer uma “transposição [quase] integral” do livro para a tela grande.

“Não podemos escolher de onde viemos, mas podemos escolher para onde vamos.”

Charlie (Logan Lerman)

Charlie (Logan Lerman)

A adaptação (a partir de agora esquecerei que existe um livro que se aproveita do mesmo nome) traz a descoberta na adolescência com um olhar quase bucólico. Na verdade, isso serve “apenas” como um plano de fundo para discutir questões como identidade, bulling, sexualidade e até “aquilo” que tanto afugenta e interfere no comportamento de Charlie. Nesse sentido, o filme acerta ao abordar essas questões de maneira humana, tênue, como geralmente ocorrem, sem aviso prévio, sem que, para isso, a escola inteira fique sabendo. Como ocorre, por exemplo, no filme brasileiro As Melhores Coisas do Mundo (Laís Bodanzky, 2010), onde os personagens principais vivem os desafios dessa fase de aceitação e descobrem, sem propósito nenhum, que o pai é gay. Toda a discussão em torno da homossexualidade, das drogas e também da

As Melhores Coisas do Mundo (2010), e Onde Vivem os Monstros (2009)

As Melhores Coisas do Mundo e Onde Vivem os Monstros

identidade são mal utilizadas. Não que o filme seja ruim, pelo contrário. Apenas trata desse tema através de uma nova perspectiva, onde as coisas acontecem e se resolvem tão rápido que a identificação com os personagens é a mesma que eu tenho com o futebol.  Diferente, por exemplo, de Onde Vivem os Monstros (Spike Jonze, 2009), onde esse assunto é tratado da forma mais sutil possível. Nele, Max foge de casa após uma discussão com a mãe e vai parar numa floresta que faz jus ao título. Embora pareça, à primeira vista, um filme de fantasia, o interessante é sacar que, na verdade, os monstros não estão na floresta, mas dentro dele mesmo. Fazendo uma analogia, dentro de Charlie, vive um monstro que, por diversas vezes, evoca as sombras do teu passado. É através dessa evocação que a narrativa vai sendo construída.

Sam (Emma Watson)

Sam (Emma Watson)

Um dos grandes acontecimentos do filme é a fotografia, assinada por Andrew Dunn. Desde o início somos apresentados a um possível problema de Charlie – por diversos momentos, quando está sozinho no quarto, o ambiente é obscuro, sinalizando seus desafios e seus questionamentos. As referências estão cuidadosamente empregadas como, por exemplo, no momento que Charlie e Sam (Emma Watson) se conhecem – o modo como ela é filmada, de baixo para cima, mostra toda a sua grandeza e importância. Como se não bastasse, logo atrás de Sam tem um refletor que ilumina metade da tela (quase um contra luz), sinalizando que a personagem veio para iluminar as sombras de Charlie. Em outra passagem, quando entram num túnel (simbolizando a superação dos problemas), Sam abre os braços como um sinal de liberdade. Curioso notar que mais uma vez a câmera focaliza Sam de baixo para cima, dessa vez num ângulo ainda mais acentuado, mostrando o crescimento de sua importância para Charlie. A propósito, passa a enquadrar ele de cima para baixo, não como um sinal de submissão, mas com o objetivo de dizer que ele está encantado por Sam. Ainda assim, se restarem dúvidas disso, Charlie completa dizendo: “eu me sinto infinito”. O que torna o trabalho de Andrew ainda mais primoroso é ver a evolução dos personagens através da construção do ambiente e sua influência na percepção por parte do público.

“Charlie – Por que as pessoas boas, sempre escolhem as pessoas erradas para namorar?
Bill – Nós aceitamos o amor que achamos que merecemos.
Charlie – E nós podemos mostrar para essas pessoas que elas merecem mais?
Bill – Nós podemos tentar.”

(L-R) EMMA WATSON, LOGAN LERMAN and EZRA MILLER star in THE PERKS OF BEING A WALLFLOWER Ph: John Bramley © 2011 Summit Entertainment, LLC.  All rights reserved.

Emma Watson, Logan Lerman e Ezra Miller

A escolha do elenco é o ponto alto. O trio principal formado por Logan Lerman, Emma Watson e Ezra Miller cria um grau de identificação particular que ultrapassa os limites da telona e invadem as concepções de quem assiste. Aqui aproveito para destacar outro êxito do filme: a trilha sonora. Faço essa correspondência porque a construção da relação entre os personagens é toda feita com uma música marcante ao fundo – é impossível não se lembrar de Sam e Patrick (Ezra Miller) dançando uma “coreografia sem passos muito ensaiados”. Ou ainda na relação particular que desenvolvem dentro da caminhonete (simbolizando um mundo singular do trio) e da “música do túnel” que eles curiosamente não sabem o nome. Aqui preciso fazer um parêntese para falar da atuação de Ezra Miller que não é nenhuma surpresa, uma vez que já tinha demonstrado todo seu talento no filme Precisamos Falar Sobre Kevin (2011). No entanto, o roteiro [e a própria direção de Stephen] não soube aproveitar todo seu potencial. O roteiro têm, ao mesmo tempo, o ponto alto e o ponto baixo do filme. É sobre essas questões que discorrerei a seguir.

O fato do roteiro ser assinado pelo próprio escritor, sem dúvidas, influenciou na construção dos personagens. Quando se dispõe a mostrar a relação do personagem principal com o elenco de apoio, o roteiro é eficiente. No entanto, isso traz um grande problema no decorrer da trama: nada acontece sem que Charlie esteja presente – quanto a isso não há nenhum problema, afinal, naturalmente, a história gira em torno do personagem principal. Não obstante, isso se torna um incômodo quando a história dos personagens secundários cresce tanto [não a ponto de se tornarem tão importantes quanto a do principal] que acabam chamando a atenção do espectador. Nesse sentido o roteiro falha ao não desenvolver [mesmo que não se proponha a isso] essas histórias. Como, por exemplo, numa solução preguiçosa, Charlie narra a evolução dos outros personagens. O roteiro se demonstra oportunista, em dado momento, quando traveste essa evolução como uma perspectiva de Charlie. Nesse sentido, a decepção é ainda maior, porque dá a entender que esses personagens [e suas histórias] não são significantes para a narrativa.

Charlie e Sam

Charlie e Sam

A combinação de um bom elenco, um trabalho excepcional de fotografia e uma trilha sonora à altura compensam, mas não apagam as falhas de um roteiro contaminado pela pretensão de ser uma extensão do livro de origem. Faltou ao autor/roteirista coragem para acreditar que o contrário poderia ser feito. No fim, acabou salvo por uma história cheia de nuances, digna de atuações honestas e um final perturbador e ao mesmo tempo provocante…

– que me fazem crer que não existe vantagem nenhuma em ser invisível.

Harry Potter, fantasia real?

Por Cristiane Turnes Montezano
Um história que foi muito além da fantasia e  amadureceu com dilemas e conflitos humanos
Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2

Dirigido por David Yates, produzido por David Heyman, David Barron e J.K. Rowling, roteirizado por Steve Kloves. Reino Unido, Estados Unidos, 2011, Warner.

J. K. Rowling

J. K. Rowling

O filme que encerra uma das franquias cinematográficas mais longas e de maior sucesso nos últimos anos, marca o fim da história inspirada na série homônima de livros da autora J.K. Rowling, contada ao longo de dez anos em oito filmes. A película é a continuação da jornada, iniciada em Relíquias da Morte Parte I, do bruxinho Harry agora já não tão “inho” e seus fiéis amigos Ron e Hermione em busca das Horcruxes que devem ser destruídas para que o vilão que Não–Deve–Ser–Nomeado seja derrotado.Em um clima sombrio do início ao fim com exceção do epílogo, os três bruxos se aventuram no Banco Gringotes (um dos primeiros lugares mágicos apresentados na saga), voam em um dragão, conhecem um novo personagem que antes só havia sido citado, só para então com a ajuda desse voltar a Escola de Hogwarts , que agora dominada por Lorde Voldermort e dirigida por Snape, está envolta por ares obscuros, pronta para ser palco da grande batalha final. Nela estão presentes praticamente todo o elenco e ainda há a grata surpresa de pequenas participações de personagens que nos deixaram ao longo do percurso até esse final épico. E mesmo que ele pareça esperado as revelações ao longo da trama são surpreendentes (para quem não leu o livro). Em especial as respostas às perguntas principais, como o porque da estranha ligação de Harry com o Lorde das Trevas (tenham certeza a explicação encontrada por J.K. Rowling como diria o próprio Harry é Brilhante e totalmente plausível no universo da série), e o esclarecimento da dúvida,quanto a que lado Snape realmente está. Além de inesperadas mortes, pois é, os fãs não foram poupados,as perdas serão dolorosas, muitos bruxos queridos não resistirão.

Nesse último filme podemos notar o amadurecimento não só do elenco que vimos crescer. As atuações estão firmes e condizentes mais do que nunca,além do aperfeiçoamento de suas posturas cênicas. Mas também dos próprios personagens,Harry (Daniel Radcliffe) antes deslumbrado pela magia se mostra altruísta e decidido a se sacrificar com a atitude de um homem com uma escolha difícil mas necessária; Rony (Rupert Grint) está mais decidido e pronto para enfrentar seus medos (antes constantes), mal lembra aquele menino brincalhão e sem jeito do início; Hermione continua ativista e inteligente,mas já não se esconde atrás de livros, objetiva e prática sem perder sua sensibilidade, se mostra bem mais aberta escutar seus amigos. Neville o garoto atrapalhado se revela corajoso a ponto de se tornar um dos grandes heróis desse filme em uma das cenas mais decisiva da história.

download (1)Temos a oportunidade de ver Michael Gambon retornar em uma pequena participação como o professor Alvo Dumbledore sereno como sempre,mas revelando um lado seu pouco visto nos filmes anteriores a se abrir sobre seus erros do passado. Mais uma vez Maggie Smith brilha como a adorável e elegante professora Minerva McGonagall,nos proporcionando ainda um dos poucos momentos engraçados na película.Após realizar um feitiço cheio de estilo que chega a arrepiar solta a frase “Eu sempre quis usar esse feitiço!”. E não se pode esquecer de Alan Rickman que nos apresenta uma atuação indiscutível,seu enigmático Severo Snape é impecável. Seu personagem com certeza o mais complexo de toda a saga, construído de forma incrível pela autora, não seria o mesmo sem  interpretação de Rickmam, que quase nos leva as lágrimas em uma de suas últimas cenas .

A direção de David Yates se encaixa bem na trama, já familiarizada por ele, por ser o quarto filme da franquia que dirige. A fotografia sombria junto ao roteiro de Steve Kloves e planos aéreos que acompanham a voz fantasmagórica de Voldermort pelos corredores da escola de magia, cria o clima perfeito de tensão que a presença do vilão causa em todos (que o diga Lúcio Malfoy que de postura  prepotente e figura impecável aparece tenso,desorientado e desalinhado de um modo que chega a ser quase cômico para quem acompanhou a saga). Mas a dupla derrapa um pouco ao fazer modificações no enredo apenas para obter efeitos que dessem utilidade ao uso do 3D que é desnecessário,em especial na forma como ocorrem duas mortes (até no mundo mágico criado por J.K. Rowling ver os personagens se desintegrarem e virarem pó não faz muito sentindo ,para que perder tempo executando dois feitiços quando apenas um resolveria o problema de forma muito mais eficaz?). Yates também peca ao não dar destaque a perda de alguns personagens importantes que mereciam um final mais emocionante até mesmo por suas trajetórias .

David Yates e Daniel Radcliffe

David Yates e Daniel Radcliffe

Em compensação o diretor dá um tom super humano aos acontecimentos. Os longos momentos de silêncio,muito bem explorados, mostram que os combatentes não estão alheios ao que acontece ao seu redor e sentem a dor e destruição provocados pela batalha. E aí a escolha da trilha sonora é bem acertada. Composta por Alexandre Desplat ela reflete a melancolia e tristeza sentidas por todos incluindo o espectador, que assisti a escola de magia que representa todo aquele universo se converter em ruínas e palco de tantas mortes. Mas antes de terminar a franquia deixa um ar de frescor no ar, nos relembrando (não que precise pois para os fãs já é inesquecível) o tema principal da série composto por John Willians que não podia ficar de fora dessa despedida.

Pois é essa é a despedida a última vez que o Expresso de Hogwarts parte da plataforma 9 ¾ . Tivemos a oportunidade de ver uma aposta da Warner que a princípio parecia loucura crescer e se tornar um sucesso de bilheteria. Vimos o mundo criado por J.K.Rowling saltar dos livros e tomar forma nas telonas. Apesar de muitos fãs reclamarem devido aos cortes que a história sofreu no processo de adaptação se pararmos para refletir ela foi bem executada, são gêneros muito diferentes e tratar de mais de 400 ou até de mais de 700 páginas em duas horas e meia é uma tarefa desafiadora. Além de que ficou evidente nesses dois últimos filmes,originados do último livro da sequência que o motivo da maioria dos cortes foi a falta de tempo. Mesmo que se argumente que a divisão foi feita para que se aumentasse o faturamento. Ela se mostrou necessária pois só com  existência da primeira parte do longa aspectos como o clima da narrativa pode ser construído gradualmente e explicações essenciais para compreensão da segunda parte do longa puderam ser devidamente abordados.

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Presenciamos a obra amadurecer como um todo o que faz sentido já que ela começa com o olhar de um garoto de 11 anos e termina com os conflitos e tomadas de decisão de um homem de 18, pronto a fazer o que é certo ao invés do que é fácil. As ideias construídas durante a série são incrivelmente atuais e  humanas, por traz do pano de fundo da magia e fantasia criado brilhantemente por J.K. Rowling há discussões de cunho social. Como discriminação sofrida pelos chamados “sangue ruim“ que seriam bruxos mestiços ,nascidos de pais não mágicos “trouxas” caso de Hermione. Que são repudiados por Voldemort que chega a instalar um regime que lembra o nazismo de Hittler. O preconceito social também é mostrado Ron apesar de ser um“ sangue puro “seus dois pais são bruxos, é descriminado por sua família ser mais humilde. Além de criticar esses preconceitos a história mostra a importância da amizade verdadeira que se prova mais forte que as relações baseadas no poder.

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Há também lições de coragem, dever, honra que se personalizam nos impecáveis discursos e conversas do sábio Dumbledore que resume em excelentes frases reflexões que podem ser levadas para nossas vidas “humanas de trouxa“:

“Não são nossas habilidades que revelam quem realmente somos são nossas escolhas”;

“Para uma mete bem estruturada a morte é apena uma aventura seguinte”;

“Palavras na minha nada humilde opinião são nossa inesgotável fonte de magia capazes de causar grandes sofrimentos ou remedia-los“;

“Não tenha pena dos mortos tenha pena dos vivos e a cima de tudo daqueles sem amor“;

“Amortecer a dor por algum tempo só vai torná-la pior quando você finalmente sentir”;

“Tempos difíceis nos aguardam e em breve teremos que escolher entre o que é o certo e o que é o fácil “.

E por essas razões essa série possui uma legião de fãs e tocou diversas gerações dos 8 aos 80 ,pois muito além do espetáculo dos efeitos visuais estão personagens humanos.

Então se você ainda tem alguma dúvida e acha que Harry Potter é infantil demais ou um produto de massa sem conteúdo dê uma oportunidade.E se proponha a embarcar nesse universo de mente aberta a uma experiência diferente, com um novo olhar.Você não vai se arrepender ,e se conseguir ver essas ideias nas entrelinhas vai notar que esse épico de aventura e fantasia é bem mais próximo de nossa realidade que muitos outros filmes parecem ser.

“É claro que está acontecendo na sua mente Harry, mas porque deveria significar que não é real ?”

Cronicando

 Por Leo Barbosa

Escrevi essa crônica em 2010 observando algumas relações de amizade. Muitas vezes, as pessoas se aproximam uma das outras apenas por conveniência, num momento de dificuldade ou desespero. Depois que suas necessidades são atendidas, algumas delas, simplesmente se afastam de maneira ingrata, ignorando o sentimento do outro lado e a profundidade da amizade.

Arvore-sem-frutos

Amizade de Estação

Então passou o verão, findaram se os risos e as alegrias se afogaram. Começara o outono que logo chegaria ao término, foi quando você mostrou seu rosto nu, cru, opaco, desnudo, sem expressão, mas com vida. Seus galhos se mostraram frágeis e torcidos, mas seu tronco ainda continuava frondoso, coisa de quem apanha muito do outono. O vento soprava, mas não derrubava. Nessa altura, o inverno havia chegado e estagnado o seu coração. A primavera não quis despertar, foi quando você soube que não viria a aurora e nem mesmo chegaria a alvorada.it

Então por clemência e obséquio do destino, um único cão, aquele que com ódio para você latia a ti se juntara e lhe quis fazer companhia, todos questionavam a solidez dessa parceria. Mais adiante, um ou dois cães se juntaram para formar a matilha, juntos os quatro vivenciaram momentos de grande euforia. Assim como o clero rejeita o pecado e a igreja abomina o diabo, para o bando estes apontavam, e destes os quatro gargalhavam.

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Nesse momento o ataque foi defesa, a defesa desnecessária, e a indiferença foi ímpar.

Um novo passo foi dado, o passado foi esquecido e o presente acabara, começava o futuro, que logo chegaria ao fim, e agora egoísta, você se viu cada vez mais sozinho. Assim como um parasita que só se valida daquilo que lhe é útil, você descartou todo o percurso das estações em um mictório, desprezando aqueles que te amaram. Foi difícil, foi amargo, foi ácido e áspero para os canídeos, mas tiveram de superar, pois você havia se tornado uma espécie de sarna impregnada em suas dermes, mas de coceira afável. Ainda queres rejeitar seus amigos?

E agora infortuniamente sozinho estas, mas casado com a mentira, sim com ela estas casado. Tua amante é a conveniência, com quem até filha já tens, hipocrisia é o seu nome. Então, já que virou anjo, vai viver o que é seu, vai cuidar daquilo que lhe é direito, vai brincar de ser feliz, vai viver o seu mundinho poético, enquanto estes demônios riem nas suas costas. Regressando o inverno, se perceber, pergunte o porquê, e saberás, pois:

O ataque é inútil, a defesa é redundante, e a indiferença é justa! E isso, apenas.

MET BALL 2015

Para além da moda
Por Leo Barbosa

Vivemos hoje numa sociedade mergulhada na cultura das celebridades. Indivíduos que o autor francês Edgard Morin define como Olimpianos. Esses semideuses seriam sujeitos que estariam acima do bem e do mal, no Olímpio dos holofotes da mídia, ditando o que seria aceitável ou desejável para os padrões ou estilos de vida dos mortais, isso é, pessoas comuns que estariam sujeitas a influência dessas pessoas que possuem maior exposição midiática.

O estilista Wander Saldanha, formado pelo CEFET de Divinópoles MG, em conversa informal, certa vez declarou: “A novela das nove dita muito mais a moda do que qualquer outro evento ou fashion week no Brasil.” Em outras palavras, as celebridades influenciam mais as pessoas comuns no modo de se vestir ou agir, do que qualquer profissional da área. Essa realidade não se restringe apenas ao Brasil. Tomemos o Met Ball 2015 como exemplo.

Met Gala 2015

Met Gala 2015

A Festa

O baile de gala anual promovido pelo Museu Metropolitano de Nova York e pela revista Vogue é um evento de moda conceitual e, mais que uma festividade da moda, é também um evento de publicidade muito visado pela indústria midiática. Como acontece em todos os anos, a noite de gala teve uma temática. A desse ano foi: China através do espelho. Normalmente, a festa dá início à exposição de primavera do museu, que segue a mesma temática da festa. A ocasião é um evento beneficente para arrecadar fundos para o instituto de moda do museu e é um evento seleto e muito concorrido. A edição desse ano contou com 600 convidados e cada convite chegava a 10 mil dólares.

O Met Gala seria o espaço que as celebridades teriam para ousar no vestuário – fugindo do comum, do óbvio, passando ao extravagante e ao excêntrico, muitas vezes beirando ao ridículo. A ocasião é também, para os profissionais da moda, a oportunidade de divulgar o seu produto e a sua marca, tendo como “garotas propaganda” as personalidades mais famosas do mundo, gerando publicidade gratuita e grande exposição no mercado. Na maioria das vezes os estilistas cedem gratuitamente suas criações aos convidados, em troca do retorno publicitário que estes proporcionam ao seu produto e à sua marca, influenciando, assim, o que será tendência para as passarelas e para as ruas na estação.

MET BALL 2015

Rihanna, Sarah e Solange

outras

Anne e Reese

Nessa proposta do exagero e da temática acima citada, quem se destacou certamente foi Rihanna com seu look amarelo imperial (na China antiga só pessoas importantes usavam amarelo) e o tecido encorpado remetendo ao inverno chinês. Sarah Jessica Park com vestido lembrando quimono e chapéu de acento chinês. Solange Knowles com seu vestido inspirado em orquídea chinesa. É possível ser extravagante com simplicidade? Sim, é possível. Anne Hathaway estava deslumbrante com um vestido de corte tradicional, com um capuz inovador no degolo, num dourado comedido – remetendo à riqueza da China. Reese Whiterspoon também não fez feio, foi com um vestido tradicional, com uma fenda provocante na cor vermelho da bandeira chinesa.

Alguns looks não fugiram muito da temática, mas poderiam ter uma pitada maior de excentricidade, como os de Anna Wintour, editora chefe da Vogue e anfitriã da festa, que talvez não quisesse roubar o brilho dos convidados; outros eram apenas excêntricos e esbanjavam transparência, como os de Beyoncé cravejado de cristais e jades ( pedra típica do país), de Kim Kardashian que poderia se encaixar mais na temática da festa; o de Jennifer Lopez que mesmo inspirado no tema, poderia ser mais condizente com sua idade. Ela esté em forma e a idade não impede nada, mas tudo tem uma medida adequada.

ousadas

Beyonce, Jennifer e Kim

Houve também quem errou e errou feio. Caso de Karry Washington, Cara Delavigne e Diane Kruguer, que mesmo usando marcas consagradas (Prada, Stella McCartney e Chanel, respectivamente) pareciam estar indo para uma festa a fantasia, ou usando roupas do seu dia a dia. As produções masculinas, raramente trazem algo novo nesse evento. Uma estampa inusitada aqui ou um corte mais trabalhado ali, mas nada que mereça destaque.

inadequadas

Karry, Cara e Diane

Para pensar

Anna Wintour

Mas o que isso muda na vida das pessoas que não são famosas? Bem, cada peça representa a coleção de sua marca ou estilista, depois que o conceito vai para as passarelas ele é traduzido para o mercado. Assim as cores, a modelagem, os adornos e acessórios são traduzidos de maneira minimalista para a moda comercial. Exemplificando: O vestido da Anna Wintour com estampa de flores de cerejeiras e ombreiras marcantes, é só pra dizer que o floral estará de volta e o estilo romântico nos vestidos estará em alta. Mesmo que em proporções diferentes da novela, esse tipo de cerimônia influencia o modo como a moda vai ser consumida, porque as celebridades ali expostas, estão levando um ideal de glamour e elegância, que “deve” ser seguido pelos demais.

Nesse tipo de evento, dado o número gigantesco de convidados, ocorre encontros inusitados que certamente agradam ou frustram os fãs de cada personalidade, até mesmo a mídia. Um fato que conseguiu chamar tanto atenção quanto os visuais exóticos das celebridades, sem dúvida, foi o encontro de três grandes artistas pop da atualidade: Katy Perry, Lady Gaga e Madonna.

Katy Perry, Madonna e Lady Gaga

Katy Perry, Madonna e Lady Gaga

Os fãs, para afirmar o talento de sua cantora favorita, acabam criando rixas inexistentes entre elas, se envolvendo constantemente em brigas com os fãs- clubes das outras artistas. A imprensa se apropria dessas rixas, alimentando as brigas com declarações distorcidas ou fictícias, para venderem seus produtos como revistas e tabloides de fofoca. Em certo ponto as celebridades podem até ter sua vaidade ferida e responder no mesmo tom – ou até aproveitar o burburinho para se promover ainda mais-,mas chega uma hora que esse jogo cansa.

Esse encontro poderia ser visto como a oportunidade de aplacar as brigas entre fãs, mas também representaria o fim desse jogo sujo e rasteiro, que a mídia insiste em explorar, colocando grandes artistas com talentos distintos uns contra os outros. Também seria a chance de uma nova abordagem da mídia e a possibilidade que o público teria de ser livre para aproveitar o melhor de cada artista. Assim o Met Ball 2015, com todas essas futilidades do espetáculo, consegue trazer algo novo não só para a indústria da moda, mas também para a indústria da música e da imprensa.

A Rainha de Coração Rebelde

Por Leo Barbosa

A mais de 30 anos na indústria fonográfica, a rainha do pop Madonna antecipou o lançamento de seu 13º álbum de estúdio, o Rebel Heart, para fevereiro devido aos vazamentos de canções ainda não finalizadas, que ocorreram no finalzinho de 2014. Antes do lançamento oficial do CD, mais músicas continuaram vazando e a sensação que se teve é que a própria equipe da cantora, numa tentativa desesperada, estava divulgando o material para medir a aceitação do público. Mas era muito cedo para fazer qualquer juízo sobre o novo trabalho da cantora, por se tratarem de canções demo. Tudo indicava que teríamos mais um CD aquém do nível que se espera de Madonna.

Rebel Heart, Madonna (2015)

Rebel Heart, Madonna (2015)

Em uma jogada de marketing, seis faixas já terminadas do material foram disponibilizadas para download no iTunes: Living For Love, Devil Pray, Ghosttown, Illuminati, Unapologetic Bitch, Bitch I’m Madonna. As músicas atingiram o topo das paradas de sucesso de vários países ao redor do mundo. Mesmo assim ainda era cedo para avaliar como seria esse disco – primeiro porque eram apenas seis canções e segundo que as músicas poderiam ter sido escolhidas por serem as melhores.

Com o lançamento oficial, todos que ouviram o CD não finalizado antes  ficaram surpresos ao ouvir canções bem trabalhadas, com letras poderosas, sonoridade agradável, arranjos inesperados e batidas marcantes. A verdade é que quando se trata de Madonna, pouco importa se o CD é ótimo como Like a Prayer de 1989, se é médio como Music de 2000, ou se não é bom como Hard Candy de 2008. O que cada fã quer de verdade é ter acesso ao novo material da cantora; é ver que mesmo depois de todos esses anos de estrada, ela ainda continua sendo relevante e atual; é saber que mesmo com a idade já avançada para o mundo pop, ela continua sexy e atraente; é saber que mesmo com um álbum de pouca qualidade, ela consegue fazer shows incríveis e de altíssimo nível.

Rebel Heart, Madonna (2015)

Rebel Heart, Madonna (2015)

O que dizer de um CD que teria tudo para dar errado? A começar por todos os vazamentos, algumas das músicas que vazaram até conseguiam empolgar, mas as batidas enjoativas acabavam com o clima em menos de uma semana. As parcerias pouco inovadoras como a participação de Nick Minaj, não fugiam do óbvio. Todo artista americano já fez canções com ela. A produção de Avicci, que já não era o DJ mais badalado do momento, nem de longe lembrava a originalidade e frescor de Madonna em seus trabalhos. Um exemplo é Ray of Light de 1998, que teve como produtor principal Willian Orbit – até então uma interrogação para a época -, e arrebentou (o cd foi vencedor de quatro prêmios grammy).

Podia- se esperar algo fabuloso desse novo material? Talvez não. A verdade é que Rebel Heart contrariou muitas expectativas. O que poderia ser um fiasco, veio como um dos melhores trabalhos de Madonna a mais de 10 anos. O CD é o maior já lançado pela cantora em número de músicas (totalizando 25 canções na versão super deluxe do álbum), que se encaixam perfeitamente no conceito; superando seu trabalho anterior MDNA de 2012 que contava com 18 músicas, que mais parecia uma compilação de canções descartadas de outros álbuns, onde poucas salvavam. Rebel Heart se diferencia pela maturidade das letras e pelos momentos diferentes e sentimentos que cada canção proporciona, além daquela boa e velha transgressão que é própria à Madonna. O CD poderia ser dividido em um lado rebelde – com canções provocadoras e ritmos ousados – e um lado coração – com letras profundas e melodias harmônicas, resultando em uma combinação bem sucedida.

Houve um tempo em que acreditei que eu viveria para sempre. Foi um tempo que rezei a Jesus Cristo. Madonna

A temática das canções não sai da zona de conforto da cantora. Religião, amor e sexo são ingredientes da receita usada por Madonna por todas essas décadas. E essa combinação está presente no álbum, além de composições biográficas onde ela abre seu coração sobre vários aspectos de sua vida. A obra flerta com ritmos como o reggae, o rap, disco e o eletrônico. No conjunto das canções algumas poderiam ser descartadas como Autotune Baby, música que fecha o álbum e traz um “auto-tune” pesado com o som irritante de um bebê chorando ao fundo. É irônica, mas irrelevante. Caso também de Inside Out, que consegue ser um pouco melhor; é bem produzida, mas é muito fraca se comparada com as outras. Best Night é aquele tipo de música que não acrescenta em nada – só entrou no CD para completá-lo.

A despeito disso outras músicas poderiam ter entrado e não entraram. Como é o caso de Two Steps Behind Me; com uma batida dançante e letra controversa, onde Madonna fala de alguém que está sempre tentando copiá-la – talvez se referindo a Lady Gaga. Nos acertos temos Ghosttown, uma das baladas românticas mais poderosas do CD, com letra sensível e um arranjo extremamente agradável. Heartbreak City também é outra balada arrasadora, onde a diva fala de uma decepção amorosa. A canção lembra muito as da cantora Adele. Em Joan of Arc, Madonna abre seu coração dizendo que não consegue ser forte o tempo todo. Wash All Over Me, esta diferente da versão demo, mais lenta e sensível e nos faz mergulhar em sua letra. Messiah é uma composição interessante com temática religiosa e fala de poderes, amores e redenção. Beautiful Scars tem uma batida que remete ao CD Confessions on a Dancefloor, de 2005, mas bem menos House.

Madonna

Madonna

As músicas mais dançantes têm espaço no repertório de Rebel Heart. Bitch I’m Madonna em parceria com Nick Minaj, apesar da letra muito juvenil, é contagiante com o arranjo adequado e elementos de Pop e Hip Hop. Illuminati polemiza com religiões e personalidades. A versão demo era bem mais dançante. Já a oficial é mais limpa, o que não compromete a produção de Kanye West. Unapologetic Bitch é ousada e traz elementos do reggae, mas talvez soasse melhor na voz da Rihanna. A ousadia está justamente na fuga do estilo de Madonna. O teor sexual fica mais evidente em músicas como a polêmica Holy Water, que fala de sexo oral numa pegada bem rap, e é outra produção de Kanye. A canção S.E.X. parece uma canção atualizada do álbum Erótica de 1992. É Madonna sendo Madonna. A letra é bem explicita e deixa clara suas intenções sexuais para com o parceiro.

Já entre as biográficas está Rebel Heart, que dá nome ao disco; com uma melodia triunfante e notas marcantes de violão, onde a cantora confessa seu lado narcisista. Veni, Vidi, Vici um dos Rap’s do CD, é uma analise de sua carreira, onde a rainha faz referências a seus sucessos como Express Yourself, Like a Virgin, Holiday e Vogue, e traz a participação do rapper Nas. Outras faixas importantes são Living For Love, primeiro single de Rebel Heart, que fala de desilusão amorosa, mas de maneira vitoriosa, onde Madonna sai de cabeça erguida, do término, com a participação de Alicia Keys no piano. Devil Pray é encorajadora, fala de drogas e que podemos fugir ou nos esconder, mas nunca encontraremos as repostas. Uma verdadeira viagem espiritual ao som de violão e batidas eletrônicas. Body Shop que no começo parece outra pessoa cantando, mas é Madonna com uma voz bem limpa, é bem gostosinha e divertida. O restante das músicas são Hold Tigh, Iconic, Queen, Borrowed Time, Graffiti Heart e Addicted, que estão em um nível mediano do CD, mas que em suas propostas são legais.

Se isso faz você se sentir bem, então eu digo “faça isso”. Não sei pelo que você está esperando. Madonna
Rebel Heart, Madonna (2015)

Rebel Heart, Madonna (2015)

Outro aspecto importante é o visual do disco. A fotografia do encarte é adequada à proposta do CD. Um dos singles para promoção foi Living For Love, que contou com um videoclipe impecável, remetendo a tourada com vários bailarinos vestidos de minotauros em um palco de teatro com um cenário vermelho, executando coreografias trabalhas. O segundo single não poderia ser outro se não Ghosttown. No vídeo Madonna é uma sobrevivente de um apocalipse e vive numa cidade fantasma; ela caminha pelo cenário de destruição onde encontra Terrance Howard (da série Empire). Os dois dançam tango e descobrem a esperança através do amor. Coerente com a letra é um forte concorrente a indicado ao próximo Grammy.

Além dos videoclipes, antes de sair em turnê mundial para a promoção do álbum, Madonna tem investido na divulgação de Rebel Heart através de apresentações em premiações como o Grammy e o Brit Awards, festivais americanos como o I Hear Radio, e em diversos programas de TV importantes como o da Ellen Degeneres, que contou com uma semana inteira de Madonna como atração principal; e o do Jimmy Fallon, onde ela apresentou Bitch I’m Madonna, que provavelmente poderá ser o terceiro single do CD. A apresentação fez com o Rebel Heart subisse 64 posições nas paradas de sucesso. O marketing tem sido intenso e promete fazer deste álbum um dos trabalhos mais bem sucedidos de Madonna. É como dizem: quem nasce para ser rainha, jamais perde a majestade. Madonna pode até não produzir trabalhos relevantes como True Love (1987) ou Like a Virgin (1985), ou mesmo agradar o público mais jovem, mas ainda faz frente com os artistas pop dessa geração como Britney, Gaga, Beyoncé e Rihanna. Rebel Heart está aí para provar isso. Com toda a qualidade e ousadia que só uma rainha poderia proporcionar.

Confira Ghosttown

Os Heróis voltaram…

Por Hágatha Guedes

A estreia nas telas do mundo inteiro da tão aguardada sequência Os Vingadores 2 – A Era de Ultron é o encerramento de uma sequência e mais um pontapé para os vários filmes que serão lançados – anunciados para até 2020 – a partir dos acontecimentos nesse filme.

Avengers - Age of Ultron (2015, Marvel)

Vingadores: Era de Ultron (2015, Marvel)

A fórmula dos filmes baseados em quadrinhos nos últimos 15 anos era sempre a mesma: uma das histórias das HQ’s (Historias em Quadrinhos) do(s) herói (s) em questão é dividida de forma que o primeiro filme serve de introdução, enquanto que o segundo já bota pra quebrar e o terceiro dá fim à sequencia -até vir a próxima, caso a primeira seja bem aceita pelo público. Mas a Marvel foi além e desenvolveu não apenas uma franquia de sucesso. Desenvolveu ma máquina de faturar dinheiro quebrando recordes de bilheteria nos cinemas pelo mundo não apenas com um herói ou uma HQ, e sim com vários heróis – juntos ou separados.

Em 2008 o mundo nerd paralisou quando na cena pós-credito de Homem de Ferro 1, Nick Fury (Samuel L. Jackson) surgiu para Tony Stark (Robert Downey Jr.) fazendo sua tão famosa pergunta que iniciaria tudo: “Você já ouviu falar na Iniciativa Vingadores?”. Isso fez também que todos os nerds aprendessem uma regra básica: quando for um filme da Marvel, você nunca deve sair do cinema antes dos créditos finais.

Homem de Ferro (2008, Marvel)

Homem de Ferro (2008, Marvel)

Homem de Ferro por si só tinha um novo inicio maravilhoso com Robert Downey Jr.  O filme foi super bem produzido com efeitos especiais dignos de um super-herói tão querido dos quadrinhos, sendo bem aceito pelos fãs desse universo. Isso não era o bastante e veio então Incrivel Hulk no mesmo ano. O filme talvez seja o menos aclamado, mas conseguiu restaurar a imagem de Bruce Banner destruída pelo seu antecessor, Hulk (2003). Veio então o final (pós-credito é claro…) que todos ansiosamente aguardavam … o Hulk estava oficialmente recrutado para Os Vingadores.

Thor (2011, Marvel)

Thor (2011, Marvel)

Após um hiato de dois anos de muita ansiedade dos fãs, finalmente chegou as telonas Homem de Ferro 2. O filme trouxe mais uma integrante da Equipe, a Viúva Negra, magistralmente interpretada por  Scarlett Johansson. Thor, em 2011, trouxe além da convocação do herói nórdico Thor (Chris Hemsworth), o vilão mais amado pelo público. O irmão de Thor, Loki, interpretado com brilhantismo por Tom Hiddleston, acabou roubando a cena do filme. Thor também é, sem duvida, o filme com mais importância para a primeira fase dos Vingadores. Após ser derrotado pelo irmão depois de tomar conta de Asgard e tentar matar seu pai com ajuda dos gigantes de gelo, Loki planeja sua vingança de aniquilação total da Terra. Os super-heróis apresentados ao público foram “obrigados” a aceitarem a proposta de Fury e se unirem na iniciativa Vingadores. O filme também traz uma aparição relâmpago (Relâmpago mesmo!!!) do Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), o penúltimo integrante da Equipe.

Capitão América (2011, Marvel)

Capitão América (2011, Marvel)

O último integrante da Equipe é o mais famoso de todos e talvez seja por isso tenha sido convocado por último – ou por ter que despertar quase 70 anos depois de ter ficado congelado. O filme é ambientado durante o período da Segunda Guerra Mundial, onde com o objetivo de criar soldados que servissem como super armas, Steve Rogers (Chris Evans), aceita o participar de uma experiência cientifica e se torna o Capitão América. Entretanto, após vencer uma batalha, algo sai errado e ele acaba caindo no mar e congelando por quase 70 anos. O filme além de ser incrivelmente bom, conseguiu retornar toda a admiração dos fãs que o Capitão tinha quando foi lançado.

… e é pra ficar!

Após o sucesso dos filmes individuais, o primeiro filme dos Vingadores veio para finalizar a primeira sequência de uma das franquias mais lucrativas da historia dos cinemas. O  elenco de estrelas já estava formado e era aclamado pelo público, Robert Downey Jr. – Homem de Ferro, Mark Ruffalo (substituindo Edward Norton) – Hulk, Scarlett Johansson – Viúva Negra,  Chris Hemsworth – Thor, Jeremy Renner – Gavião Arqueiro),Chris Evans – Capitão América. Os Agentes da SHIELD Samuel L. Jackson – Nick Fury, Clark Gregg – Agente Coulson, Cobie Smulders – Maria Hill) e Tom Hiddleston como o vilão Loki.

Não satisfeitos com o sucesso da primeira sequência, a Marvel lançou ainda a série Agentes da SHIELD, estrelada por Samuel L. Jackson e Clark Gregg, que não obteve o mesmo sucesso dos filmes, mas ainda sim consegue se destacar nesse outro universo.

Já a segunda sequência não começa tão bem. Homem de Ferro 3 tem um roteiro tão medíocre que é um favor a Marvel passar despercebido por ele. Mas, logo em seguida Thor 2: O Mundo Sombrio e Capitão América 2: O Soldado Invernal aparecem para redimir a equipe e mostrar que Os Vingadores: Era de Ultron repetirá o sucesso e a competência do primeiro – sendo ainda melhor, já que os super-heróis tem uma ameaça muito maior para enfrentar e prometem “quebrar tudo” para defender a terra.

Avengers - Age of Ultron (2015)

Vingadores: Era de Ultron (2015, Marvel)

O filme também trará novos personagens que serão parte da terceira sequência já divulgada pela Marvel, como os irmãos Mercúrio e a Feiticeira Escarlate e o tão esperado lançamento de O Homem Formiga.

Graças a uma bela estrutura de marketing que é alimentada por uma rede de anunciantes milionária, eles alimentam os fãs com diversos “fan service” em redes sociais, anúncios, produtos franqueados e surpresas nerds como a aparição na última Comic Com.

Com toda essa superprodução, links entre um filme e outro, lançados em sequencia, e tantos fãs conquistados e enlouquecidos querendo cada vez mais filmes, é impossível saber se 2020 é realmente o limite. Os heróis voltaram e são extremamente lucrativos e, com certeza, eles vieram para ficar.