Harry Potter, fantasia real?

Por Cristiane Turnes Montezano
Um história que foi muito além da fantasia e  amadureceu com dilemas e conflitos humanos
Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2

Dirigido por David Yates, produzido por David Heyman, David Barron e J.K. Rowling, roteirizado por Steve Kloves. Reino Unido, Estados Unidos, 2011, Warner.

J. K. Rowling

J. K. Rowling

O filme que encerra uma das franquias cinematográficas mais longas e de maior sucesso nos últimos anos, marca o fim da história inspirada na série homônima de livros da autora J.K. Rowling, contada ao longo de dez anos em oito filmes. A película é a continuação da jornada, iniciada em Relíquias da Morte Parte I, do bruxinho Harry agora já não tão “inho” e seus fiéis amigos Ron e Hermione em busca das Horcruxes que devem ser destruídas para que o vilão que Não–Deve–Ser–Nomeado seja derrotado.Em um clima sombrio do início ao fim com exceção do epílogo, os três bruxos se aventuram no Banco Gringotes (um dos primeiros lugares mágicos apresentados na saga), voam em um dragão, conhecem um novo personagem que antes só havia sido citado, só para então com a ajuda desse voltar a Escola de Hogwarts , que agora dominada por Lorde Voldermort e dirigida por Snape, está envolta por ares obscuros, pronta para ser palco da grande batalha final. Nela estão presentes praticamente todo o elenco e ainda há a grata surpresa de pequenas participações de personagens que nos deixaram ao longo do percurso até esse final épico. E mesmo que ele pareça esperado as revelações ao longo da trama são surpreendentes (para quem não leu o livro). Em especial as respostas às perguntas principais, como o porque da estranha ligação de Harry com o Lorde das Trevas (tenham certeza a explicação encontrada por J.K. Rowling como diria o próprio Harry é Brilhante e totalmente plausível no universo da série), e o esclarecimento da dúvida,quanto a que lado Snape realmente está. Além de inesperadas mortes, pois é, os fãs não foram poupados,as perdas serão dolorosas, muitos bruxos queridos não resistirão.

Nesse último filme podemos notar o amadurecimento não só do elenco que vimos crescer. As atuações estão firmes e condizentes mais do que nunca,além do aperfeiçoamento de suas posturas cênicas. Mas também dos próprios personagens,Harry (Daniel Radcliffe) antes deslumbrado pela magia se mostra altruísta e decidido a se sacrificar com a atitude de um homem com uma escolha difícil mas necessária; Rony (Rupert Grint) está mais decidido e pronto para enfrentar seus medos (antes constantes), mal lembra aquele menino brincalhão e sem jeito do início; Hermione continua ativista e inteligente,mas já não se esconde atrás de livros, objetiva e prática sem perder sua sensibilidade, se mostra bem mais aberta escutar seus amigos. Neville o garoto atrapalhado se revela corajoso a ponto de se tornar um dos grandes heróis desse filme em uma das cenas mais decisiva da história.

download (1)Temos a oportunidade de ver Michael Gambon retornar em uma pequena participação como o professor Alvo Dumbledore sereno como sempre,mas revelando um lado seu pouco visto nos filmes anteriores a se abrir sobre seus erros do passado. Mais uma vez Maggie Smith brilha como a adorável e elegante professora Minerva McGonagall,nos proporcionando ainda um dos poucos momentos engraçados na película.Após realizar um feitiço cheio de estilo que chega a arrepiar solta a frase “Eu sempre quis usar esse feitiço!”. E não se pode esquecer de Alan Rickman que nos apresenta uma atuação indiscutível,seu enigmático Severo Snape é impecável. Seu personagem com certeza o mais complexo de toda a saga, construído de forma incrível pela autora, não seria o mesmo sem  interpretação de Rickmam, que quase nos leva as lágrimas em uma de suas últimas cenas .

A direção de David Yates se encaixa bem na trama, já familiarizada por ele, por ser o quarto filme da franquia que dirige. A fotografia sombria junto ao roteiro de Steve Kloves e planos aéreos que acompanham a voz fantasmagórica de Voldermort pelos corredores da escola de magia, cria o clima perfeito de tensão que a presença do vilão causa em todos (que o diga Lúcio Malfoy que de postura  prepotente e figura impecável aparece tenso,desorientado e desalinhado de um modo que chega a ser quase cômico para quem acompanhou a saga). Mas a dupla derrapa um pouco ao fazer modificações no enredo apenas para obter efeitos que dessem utilidade ao uso do 3D que é desnecessário,em especial na forma como ocorrem duas mortes (até no mundo mágico criado por J.K. Rowling ver os personagens se desintegrarem e virarem pó não faz muito sentindo ,para que perder tempo executando dois feitiços quando apenas um resolveria o problema de forma muito mais eficaz?). Yates também peca ao não dar destaque a perda de alguns personagens importantes que mereciam um final mais emocionante até mesmo por suas trajetórias .

David Yates e Daniel Radcliffe

David Yates e Daniel Radcliffe

Em compensação o diretor dá um tom super humano aos acontecimentos. Os longos momentos de silêncio,muito bem explorados, mostram que os combatentes não estão alheios ao que acontece ao seu redor e sentem a dor e destruição provocados pela batalha. E aí a escolha da trilha sonora é bem acertada. Composta por Alexandre Desplat ela reflete a melancolia e tristeza sentidas por todos incluindo o espectador, que assisti a escola de magia que representa todo aquele universo se converter em ruínas e palco de tantas mortes. Mas antes de terminar a franquia deixa um ar de frescor no ar, nos relembrando (não que precise pois para os fãs já é inesquecível) o tema principal da série composto por John Willians que não podia ficar de fora dessa despedida.

Pois é essa é a despedida a última vez que o Expresso de Hogwarts parte da plataforma 9 ¾ . Tivemos a oportunidade de ver uma aposta da Warner que a princípio parecia loucura crescer e se tornar um sucesso de bilheteria. Vimos o mundo criado por J.K.Rowling saltar dos livros e tomar forma nas telonas. Apesar de muitos fãs reclamarem devido aos cortes que a história sofreu no processo de adaptação se pararmos para refletir ela foi bem executada, são gêneros muito diferentes e tratar de mais de 400 ou até de mais de 700 páginas em duas horas e meia é uma tarefa desafiadora. Além de que ficou evidente nesses dois últimos filmes,originados do último livro da sequência que o motivo da maioria dos cortes foi a falta de tempo. Mesmo que se argumente que a divisão foi feita para que se aumentasse o faturamento. Ela se mostrou necessária pois só com  existência da primeira parte do longa aspectos como o clima da narrativa pode ser construído gradualmente e explicações essenciais para compreensão da segunda parte do longa puderam ser devidamente abordados.

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Presenciamos a obra amadurecer como um todo o que faz sentido já que ela começa com o olhar de um garoto de 11 anos e termina com os conflitos e tomadas de decisão de um homem de 18, pronto a fazer o que é certo ao invés do que é fácil. As ideias construídas durante a série são incrivelmente atuais e  humanas, por traz do pano de fundo da magia e fantasia criado brilhantemente por J.K. Rowling há discussões de cunho social. Como discriminação sofrida pelos chamados “sangue ruim“ que seriam bruxos mestiços ,nascidos de pais não mágicos “trouxas” caso de Hermione. Que são repudiados por Voldemort que chega a instalar um regime que lembra o nazismo de Hittler. O preconceito social também é mostrado Ron apesar de ser um“ sangue puro “seus dois pais são bruxos, é descriminado por sua família ser mais humilde. Além de criticar esses preconceitos a história mostra a importância da amizade verdadeira que se prova mais forte que as relações baseadas no poder.

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Há também lições de coragem, dever, honra que se personalizam nos impecáveis discursos e conversas do sábio Dumbledore que resume em excelentes frases reflexões que podem ser levadas para nossas vidas “humanas de trouxa“:

“Não são nossas habilidades que revelam quem realmente somos são nossas escolhas”;

“Para uma mete bem estruturada a morte é apena uma aventura seguinte”;

“Palavras na minha nada humilde opinião são nossa inesgotável fonte de magia capazes de causar grandes sofrimentos ou remedia-los“;

“Não tenha pena dos mortos tenha pena dos vivos e a cima de tudo daqueles sem amor“;

“Amortecer a dor por algum tempo só vai torná-la pior quando você finalmente sentir”;

“Tempos difíceis nos aguardam e em breve teremos que escolher entre o que é o certo e o que é o fácil “.

E por essas razões essa série possui uma legião de fãs e tocou diversas gerações dos 8 aos 80 ,pois muito além do espetáculo dos efeitos visuais estão personagens humanos.

Então se você ainda tem alguma dúvida e acha que Harry Potter é infantil demais ou um produto de massa sem conteúdo dê uma oportunidade.E se proponha a embarcar nesse universo de mente aberta a uma experiência diferente, com um novo olhar.Você não vai se arrepender ,e se conseguir ver essas ideias nas entrelinhas vai notar que esse épico de aventura e fantasia é bem mais próximo de nossa realidade que muitos outros filmes parecem ser.

“É claro que está acontecendo na sua mente Harry, mas porque deveria significar que não é real ?”

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