Cronicando

 Por Leo Barbosa

Escrevi essa crônica em 2010 observando algumas relações de amizade. Muitas vezes, as pessoas se aproximam uma das outras apenas por conveniência, num momento de dificuldade ou desespero. Depois que suas necessidades são atendidas, algumas delas, simplesmente se afastam de maneira ingrata, ignorando o sentimento do outro lado e a profundidade da amizade.

Arvore-sem-frutos

Amizade de Estação

Então passou o verão, findaram se os risos e as alegrias se afogaram. Começara o outono que logo chegaria ao término, foi quando você mostrou seu rosto nu, cru, opaco, desnudo, sem expressão, mas com vida. Seus galhos se mostraram frágeis e torcidos, mas seu tronco ainda continuava frondoso, coisa de quem apanha muito do outono. O vento soprava, mas não derrubava. Nessa altura, o inverno havia chegado e estagnado o seu coração. A primavera não quis despertar, foi quando você soube que não viria a aurora e nem mesmo chegaria a alvorada.it

Então por clemência e obséquio do destino, um único cão, aquele que com ódio para você latia a ti se juntara e lhe quis fazer companhia, todos questionavam a solidez dessa parceria. Mais adiante, um ou dois cães se juntaram para formar a matilha, juntos os quatro vivenciaram momentos de grande euforia. Assim como o clero rejeita o pecado e a igreja abomina o diabo, para o bando estes apontavam, e destes os quatro gargalhavam.

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Nesse momento o ataque foi defesa, a defesa desnecessária, e a indiferença foi ímpar.

Um novo passo foi dado, o passado foi esquecido e o presente acabara, começava o futuro, que logo chegaria ao fim, e agora egoísta, você se viu cada vez mais sozinho. Assim como um parasita que só se valida daquilo que lhe é útil, você descartou todo o percurso das estações em um mictório, desprezando aqueles que te amaram. Foi difícil, foi amargo, foi ácido e áspero para os canídeos, mas tiveram de superar, pois você havia se tornado uma espécie de sarna impregnada em suas dermes, mas de coceira afável. Ainda queres rejeitar seus amigos?

E agora infortuniamente sozinho estas, mas casado com a mentira, sim com ela estas casado. Tua amante é a conveniência, com quem até filha já tens, hipocrisia é o seu nome. Então, já que virou anjo, vai viver o que é seu, vai cuidar daquilo que lhe é direito, vai brincar de ser feliz, vai viver o seu mundinho poético, enquanto estes demônios riem nas suas costas. Regressando o inverno, se perceber, pergunte o porquê, e saberás, pois:

O ataque é inútil, a defesa é redundante, e a indiferença é justa! E isso, apenas.

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