Usuários mediando sentidos

“[…] o eixo do debate deve se deslocar dos meios para as mediações”. (MARTIN-BARBERO, 2002, p. 55).

Jesús Martín-Barbero

Jesús Martín-Barbero

Um dos principais expoentes dos Estudos Culturais, o teórico espanhol Jesus Martín-Barbero, desenvolveu importantes estudos ligados às análises dos meios de comunicação. Suas considerações acerca das produções culturais e a forma pela qual se dá a “recepção” são pontos-chave para a compreensão dos processos comunicacionais. Uma de suas principais proposições está relacionada às estratégias [impregnadas] desde o momento em que um estímulo (mensagem) é transmitido e o momento em que é recebido – as chamadas mediações. Isso compreende um importante aspecto do trabalho desenvolvido pelo teórico e é sobre essa perspectiva que vamos falar um pouco melhor agora.

As reflexões propostas por Barbero seguem a linha das investigações que davam conta de um “receptor ativo”, ou seja, capaz de interferir nas produções da indústria midiática. Nesse sentido, contradiz [completamente] os pensamentos de “Frankfurt” – a ideia de que os meios de comunicação eram donos de um poder inquestionável e manipulador. Agora, considera-se um “receptor” capaz de intervir na produção cultural. A propósito, entende-se que esse novo receptor é provido de capacidade suficiente para negociar a recepção – como trabalhado por Hall, por exemplo, ao abordar a codificação e decodificação.


A partir de agora devemos fugir dessa terminologia, uma vez a ideia de receptor traz aquela velha consideração de um individuo passível de “dominação”. Assim, podemos colocá-los, a partir de agora, como usuários. Nesse mesmo sentido, podemos inferir que não existe agora um único emissor. Seria muito mais sensato considerá-los como produtores – partindo dessa ideia de que toda produção cultural leva em consideração as perspectivas e expectativas dos usuários.


telefone-de-lataConsidera-se que o usuário é um indivíduo que não só recebe as mensagens, mas que é capaz de participar do processo de criação. Assim, não se pensa mais nos meios como o foco do processo, mas nas mediações influenciadas por inúmeros fatores (social, cultural, econômico e politico) do usuário. Em “De los meios a las mediaciones” (1987), Barbero propõe a Teoria das Mediações. Leva-se em conta as influencias do contexto cultural na forma pela qual se dá a interpretação da mensagem pelo individuo. As reflexões feitas por Barbero revolucionam o modo de ver a comunicação ao propor que o usuário, mais que consumidor, é capaz de produzir algo a partir das informações que recebe. Nesse sentido, o teórico propõe uma evolução onde não se deve analisar somente o meio (McLuhan), mas parte do princípio de que os indivíduos não são sujeitos livres de opinião (manipuláveis). Para isso, considera o espaço que se localiza entre os produtores da mensagem e o usuário. Logo, se justifica a ideia que promove a comunicação como sistema disposto a retroalimentar o usuário também como produtor e o produtor como usuário – rompendo de vez com a linearidade de que existe um receptor passivo. Outro aspecto que deve ser considerado é a multilateralidade na produção de conteúdo.

Barbero propõe uma nova forma de entender o processo de produção dos meios. Para ele, mais importante que criticar a manipulação e a influência da televisão é entender o usuário. O autor então passa a centralizá-lo como o foco de estudo no qual o usuário não é passivo à toda informação. Isso se torna justificável a partir da ideia de mediação que existe entre o usuário e o meio. As mais importantes são as mediações culturais e as políticas. Elas seriam toda a bagagem que o individuo já possui ao assistir ou ler uma noticia, por exemplo. Há, às vezes, uma recusa em aceitar o que é transmitido, retirando assim toda ideia de receptor simplesmente consumidor da informação. Existe uma necessidade, portanto, em considerar que o usuário tem uma predisposição em negociar as mensagens pelos meios produzidas. Assim, deve-se levar em consideração que não existe um indivíduo inculto.

Barbero chega a considerar uma sociedade civil não massiva. Nela se caracteriza “um espaço de deliberação social, interação discursiva, autonomia da formulação dos próprios interesses e pluralismo”. Ela possui um campo de discussão politica e cultural. Nesse sentido, a TV vem a com intenção de pautar o assunto dessa sociedade (agenda-setting). A mídia se torna portadora de opiniões ao escolher o que vai entrar em discussão na esfera pública. Barbero retrata, dentro desse meio, a chamada empresarialização que teria o significado de “passar de uma organização familiar para uma gestão empresarial”. Elas [opiniões] se tornam padronizadas quanto ao conteúdo tornando-o cada vez mais específico. Além disso a TV, antes direcionada para um público aberto, passa a ter um público alvo. Em meio a tudo isso, sabe-se que ela é mais um ator social dentro da sociedade. Daí a ideia de que “não há narrativa cultural que não seja contada”.

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2 comentários

  1. Luiza Quinet · junho 1, 2015

    Bons textos e exemplos, mas cuidado com os erros de português, principalmente, de concordância.

    Curtido por 1 pessoa

  2. gabrielabcaravela · junho 24, 2015

    Muito boa a reflexão, mas poderia ter aprofundado na relação teoria e prática, que era a proposta da atividade.

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