Consumo serve para pensar, repensar e pensar de novo

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Consumo é muito mais que gastos fúteis e compulsões tolas. O ato de consumir vai além de preferências, caprichos e aquisições impensadas. Segundo Nestor Canclini: “O consumo é conjunto de processos socioculturais em que se realiza a apropriação e os usos dos produtos.” Portanto o consumo é uma etapa cíclica da produção e reprodução social, assim, não são as necessidades individuais que definem o conteúdo, a forma e o sujeito do consumo; mas o sistema econômico que pensa como reproduzir a força de trabalho e o lucro dos produtos. Porém a relação de consumo não é dada apenas pelos agentes econômicos, mas é pautada na interação produtores e consumidores, emissores e receptores.

No texto O consumo serve para pensar, Canclini traz uma reflexão sobre como o consumo afeta a sociedade. A cidadania está diretamente ligada ao poder de consumo. Sendo assim, ele propõe uma nova abordagem do consumo a partir de uma teoria sociocultural que redefine a grande força dos meios de comunicação de massa como influenciadores desse consumo. Para o autor, consumir deixa de ser um ato irracional e se transforma em uma ação social e cultural. Segundo ele, a opção por alguns produtos acaba sendo simbólica e determina papéis que pretendemos seguir e, as comunidades as quais pertencemos.

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Mostramos como nos comunicamos, também, pelo modo que nos vestimos e pelos produtos que fazemos uso, isso aponta a qual “grupo” pertencemos ou gostaríamos de pertencer. Nesse caso, percebemos que o consumo, quando exagerado, deixa de ser uma necessidade e se torna uma maneira de se comunicar com o mundo. Um exemplo claro disso é movimento do funk ostentação, que traz indivíduos de um determinado contexto social, esbanjando um patrimônio, usando uma indumentária e consumindo produtos que não são próprios do seguimento social ao qual pertencem, reforçando assim, a ideia de querer pertencer.

Foto por Renato Frade [www.facebook.com/RenatoFradeFotografia]

Para que o consumo e a cidadania estejam interligados é necessário que haja, minimamente, três aspectos: 1) uma oferta vasta e diversificada de bens e mensagens, 2) informação confiável e multidirecional a respeito da qualidade dos produtos e 3) participação democrática dos principais setores da sociedade civil. Este modo de pensar nos leva para fora do conceito da razão instrumental (discutido em Teorias 1) no ato consumidor, para um novo patamar, o do consumo cidadão, que muito além de escolhas que satisfaçam as nossas necessidades, nos faz refletir as consequências e responsabilidades de nossas escolhas.

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2 comentários

  1. Luiza Quinet · junho 1, 2015

    Boa noite! Ótimo texto e exemplos. A construção e fluidez dos parágrafos ficou ótima.
    Só atentem para vírgulas em lugares desnecessários, como em “determina papéis que pretendemos seguir e, as comunidades as quais pertencemos.”

    Curtido por 1 pessoa

  2. gabrielabcaravela · junho 24, 2015

    Muito boa a reflexão proposta!!

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